domingo, 16 de maio de 2010

Bamboleante


Gira o funâmbulo de pé fino, de corpo todo, no arame.
- Não caias funâmbulo...
Pede a menina de canção luzente, com a voz a sossegar o vento.
Mas a beleza da sua arte é tanta, que aves vindas de mundos pousam no fio. As aves mais exuberantes, as aves mais sós... Todas se atraem por uma luz não existente do arame.
A menina sente um nó angustiado.
Cai o funâmbulo!!!
Um estrondo seco na terra leva ao voo de todas as aves!
Elas batem asas e asas batem e é um festival de penas tristes e de sangue sólido e som de brevidade e há vento e gritos e marés confusas e tempestades cortantes!
O funâmbulo moribundo não sente a morte, sente os braços da menina.
O amor é bonito, mas a beleza da arte é tanta!